Seguro, o Messias salvador

by eduardofariacaetano

Rejubilem os portugueses. Eis que chega aquele que vai apagar da história negra de Portugal os últimos três anos de governação neoliberal de Passos Coelho/Paulo Portas. Acordado finalmente para a política e para os portugueses, António José Seguro – que, durante estes tenebrosos três anos de sacrifícios para os portugueses, se autoanulou – já veio garantir aos lusitanos a reposição de tudo aquilo de que foram espoliados.
Paula Teixeira da Cruz reduziu o número de comarcas e eliminou tribunais aguentando e ultrapassando os protestos das populações. Descansem as almas. António José Seguro já garantiu. Quando for primeiro-ministro reporá os tribunais e devolverá aquelas instituições vilipendiadas pela direita neoliberal às populações.

Num afã e cumprindo uma agenda política privatística, o Governo de Passos encerrou e transferiu uma série de serviços públicos deixando população inteiras sem qualquer acesso a esses serviços e uma vez mais enfrentando grandes protestos por parte daqueles que eram os seus utentes. Descansem portugueses. António José Seguro já prometeu e só promete aquilo que pode cumprir. Se e quando for primeiro-ministro devolverá às populações os serviços públicos que lhes foram roubados.

Milhares de pensionistas viram as suas miseráveis pensões encurtadas ainda mais por uma política neoliberal que a única coisa que via era os cortes e sempre nos mais desfavorecidos. Nada de atacar as grandes fortunas ou os grandes empresários. Tudo pela protecção dos poderosos. Roubados e desrespeitados milhares de pensionistas vieram para as ruas protestar. Em vão!. Mas descansem portugueses. António José Seguro vai resolver a situação e em nome dos pensionistas já garantiu. Se e quando for primeiro-ministro vai repor todas as pensões furtadas pela calada da noite pelo governo neoliberal.

Milhares de trabalhadores, muitos milhares mesmo, viram os seus salários emagrecer nos últimos três anos tudo em nome de uma política de austeridade imposta por Passos e seus cúmplices. O desemprego aumentou exponencialmente. Famílias inteiras viram-se lançadas para o desemprego. Muitos mesmo muitos, tiveram de entregar as suas casas aos bancos por não conseguirem pagar as prestações dos empréstimos que contraíram em época em que se instavam as pessoas à compra e se dissuadia o arrendamento. Mas descansem os portugueses. Eis que chega António José Seguro. O homem milagroso que está sempre a pensar nos mais desfavorecidos, nos explorados, nos miseráveis de Vitor Hugo. Já disse. Garantiu mesmo. Quando for primeiro-ministro reporá os salários na íntegra e imediatamente.

Milhares de portugueses, cerca de 300 mil fala-se, sem opção de vida e sem futuro imigraram em busca de melhor vida. Famílias viram os seus membros separarem-se em nome da sobrevivência económica. O país desertificou-se ainda mais. Num movimento sempre crescente e que já vem de há muito tempo, o interior foi vendo desaparecer a sua juventude, diminuir a natalidade, aumentar o desemprego com a deslocalização das empresas que ainda iam mantendo algum nível de emprego. Mas descansem os portugueses. António José Seguro está aí. Qual Cristiano Ronaldo Seguro grita “Estou aqui”. E garante! Cheio de fé. “Tenho um plano para travar a desertificação do interior”. Finalmente. Ao fim de várias décadas um homem milagroso consegue a fórmula para o milagre. Portugal confiante já antevê um futuro não muito longínquo em que, invertendo a habitual tendência de desertificação e abandono, vai assistir a um fenómeno populacional há muito não visto não só em Portugal como também na Europa. As famílias já se mostram mais calmas e com uma alegria esfusiante antevendo o regresso daqueles que demandaram o estrangeiro e que agora, graças a Seguro, vão regressar.

A restauração foi fustigada pela crise, pela falta de dinheiro dos portugueses agravado pela subida do IVA para uma taxa exorbitante que estrangulou a já apertada economia da maioria dos empresários da restauração. Muitos cafés e restaurantes fecharam. Muitos estão em vias de o fazer. Consequências trágica no nível de emprego e na dignidade daqueles que subsistiam a trabalhar nesse martirizado sector. Mas descansem os portugueses. Descansem os empresários da restauração. António José Seguro chegou. Evidentemente que vai pôr cobro a esse esbulho. Seguro garante que o IVA vai baixar.
Mão-de-obra barata era o que exigia a troika e a Alemanha e foi isso que o actual governo garantiu com a alteração das leis laborais, com a suspensão do aumento do salário mínimo e com os cortes nos salários. Vozes gritaram que só com o aumento do salário mínimo nacional seria possível relançar a economia, conferir alguma justiça social e dar mais poder de compra aos portugueses estimulando assim a procura. A tudo e todos o governo ignorou. Mas descansem os portugueses. António José Seguro está entre nós. E garantiu. Solenemente. O salário mínimo nacional será aumentado no dia em que for primeiro-ministro.

O MPT e Marinho e Pinto tiveram um bom, resultado eleitoral graças a algumas propostas consideradas por outros como demagógicas, populistas e eleitoralistas. Uma delas era a de uma pretensa separação dos negócios da política. Mas descansem os portugueses. Seguro está aí. E garante. Com ele em primeiro-ministro os negócios separar-se-ão da política. Promessa solene…que se cuide Marinho e Pinto que a sua base de apoio treme.

Diz o mote da sua campanha interna no PS. “Com Seguro Portugal tem futuro”. Os portugueses ficam mais descansados. Porque já perceberam. Seguro já lhes garantiu. Vão regressar à situação que viviam em 2010. O hiato destes anos será rapidamente ultrapassado e esquecido. Já todos os portugueses se aperceberam da grande humanidade de Seguro, da sua coerência política, (esqueçam os últimos três anos, pois aí ele anulou-se) da viabilidade das suas propostas e promessas. Ninguém vê nele o político populista que promete aquilo que sabe que o povo quer ouvir, que lhe é agradável para angariar votos. Todos percebemos que isso nem passa pela cabeça de António José Seguro.

Com António José Seguro Portugal dirige-se para um futuro risonho, que vai ensombrar certamente aquele paraíso do sol radiante que outras paragens do planeta nos habituaram. Viva Seguro. Pim.

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