Será que temos moral para exigir aos políticos que respeitem a ética?

by eduardofariacaetano

Vivemos uma época em que todos reclamam pela moralização da política, pela transparência na políticas e na vida pública, contra os indivíduos que não respeitam a ética republicana, contra os deputados que, tendo sido eleitos como representantes dos portugueses, alegadamente faltam muitas vezes aos plenários da Assembleia legislativa, embora, nesta última situação muitas vezes os deputados que faltam à sessão plenária possam estar em serviço nas comissões ou no exterior, mas enfim há-os efectivamente que faltam.

Aqui, nas páginas do facebook e das redes sociais não são poucos os que dão eco a esse protesto, protesto que aliás é legítimo e até necessário para a tal transparência necessária do política e para a reaproximação do cidadão à política.

Acontece que o velho ditado que diz “Não atire pedras aos outros quando os seus telhados são de vidro”, é um ditado sábio. Para ser credível essa luta extenuante pela transparência e contra a quebra da ética politica o sujeito ativo, o protestante, tem de ter moral para o fazer…

Será que a maioria tem? A dúvida pode não parecer pertinente mas afigura-se-me como tal. E porquê? Ora, a maioria das redes sociais estão muito ativas durante o dia. Quero crer que a maioria das pessoas que usam as redes sociais durante o dia sejam pessoas que trabalhem por conta de outrem no sector público ou privado, ou, por conta própria. Acontece que a maioria dos chamados empregos será durante o dia (embora já se pratiquem os horários desfasados). A conclusão que se pode tirar é a de que as pessoas usam o seu horário de trabalho para exercerem uma atividade bastante profícua e permanente nas redes sociais.

Ora, os trabalhadores para exigirem direitos têm de ser capazes de cumprir os seus deveres. Um desses deveres é ocuparem o chamado “tempo do patrão” (denominação antiga que quer representar o horário de trabalho contratado por ambas as partes) para levar a cabo a ou as tarefas para as quais foi contratado.
Ao “passarem” o dia no computador (na maior parte dos casos pertencente à entidade patronal) nas redes sociais, é óbvio que esse trabalhador está a abusar da confiança nele depositado e a quebrar o dever de lealdade. No fundo está a ser pouco ético profissionalmente.

Esta quebra da ética profissional vale tanto para o trabalhador por conta de outrem como para o que o faz por conta própria. Neste ultimo caso das duas, uma, ou opta por estar nas redes sociais e não cumpre os seus objetivos de ter rendimento da sua atividade liberal, ou então está nas redes sociais em detrimento dos seus clientes mas a quem acaba por indexar horas que efetivamente não perdeu na satisfação da demanda do cliente.

Sempre estranhei pois o intenso tráfico das redes sociais, a não ser que quem nelas participa esteja desempregado ou reformado. E estranho porque durante os 33 anos em que fui trabalhador por conta de outrem, nunca em circunstância alguma usei o meu horário de trabalho para andar a navegar na internet fosse nas redes sociais, fosse nos chat´s, fosse onde fosse, que não em questões meramente de serviço…..

A situação tornou-se tão grave que empresas existem que optaram por bloquear nos seus computadores o acesso aos chat´s e às redes sociais isto dado o abuso que se davam conta…Mas em muitas, o acesso continua livre, só assim se compreendendo que pessoas que não escondem ter atividade profissional ativa passem os dias na Internet….

Ora, esta quebra de lealdade, esta ignorância do cumprimento dos deveres para com a entidade patronal, deveres livremente aceites aquando da assinatura do contrato de trabalho, este abuso claro das obrigações dos trabalhadores (que aliás em muitos casos quando provados constituem causa para despedimento), para já não falar na questão da produtividade, levam-me a acreditar que muitos dos que clamam contra a falta de ética dos políticos, eles próprios também não a tenham no seu campo de atividade profissional pelo que questiono-me da sua moral para poderem clamar e exigir a outros que cumpram aquilo que eles próprios não cumprem.

E que tal se todos cumpríssemos primeiro com as nossas obrigações e deveres para depois podermos exigir que os outros o façam?

Advertisements